Por muito tempo, o tratamento do Alzheimer foi limitado a controlar os sintomas e retardar a progressão da doença. Nos últimos anos, porém, a ciência avançou de forma significativa e duas novas drogas chegaram para mudar esse cenário: o donanemabe, desenvolvido pela Lilly, e o lecanemabe, da Biogen.
O que são essas novas drogas?
Ambas pertencem a uma classe de medicamentos chamados anticorpos monoclonais anti-amiloide. Elas atuam diretamente em uma das causas da doença: o acúmulo de placas de beta-amiloide no cérebro, uma proteína que, em excesso, interfere na comunicação entre os neurônios e contribui para a degeneração cerebral.
Diferente dos tratamentos anteriores, que apenas amenizavam os sintomas, essas drogas buscam agir na raiz do problema.
Como funcionam na prática?
- O lecanemabe (nome comercial Leqembi) foi aprovado nos Estados Unidos e demonstrou redução significativa do declínio cognitivo em pacientes nas fases iniciais da doença
- O donanemabe apresentou resultados ainda mais expressivos em ensaios clínicos, com redução do declínio cognitivo de até 35% em pacientes com Alzheimer inicial, e aguarda aprovação regulatória em alguns países
Os dois são administrados por via intravenosa, em infusões periódicas, e exigem monitoramento com exames de imagem durante o tratamento.
Para quem são indicados?
Esse é um ponto fundamental: os melhores resultados foram observados em pacientes com Alzheimer em estágio inicial ou leve, com confirmação laboratorial ou por imagem da presença de placas amiloides no cérebro.
Isso reforça algo que sempre defendo no consultório: o diagnóstico precoce não é apenas importante, ele é determinante para o acesso às terapias mais modernas.
Quais são os riscos?
O principal efeito adverso monitorado é chamado de ARIA (Anomalias de Imagem Relacionadas à Amiloide), que inclui pequenas alterações como microhemorragias ou acúmulo de fluido no cérebro. Por isso, o acompanhamento com ressonância magnética durante o tratamento é obrigatório.
Esses tratamentos já estão disponíveis no Brasil?
O cenário regulatório ainda está em evolução. A Anvisa analisa os pedidos de aprovação, e o acesso ainda é limitado. Mas é fundamental que pacientes e familiares estejam informados sobre essas opções para, junto com o neurologista, avaliar as possibilidades disponíveis em cada caso.
O que isso muda para quem tem Alzheimer na família?
Muda a urgência do diagnóstico. Se antes havia uma certa resignação diante da doença, hoje existe uma janela terapêutica real que precisa ser aproveitada nas fases iniciais. Quem espera os sintomas se agravarem perde a oportunidade de se beneficiar dessas novas abordagens.
Se há histórico de Alzheimer na família ou sinais de comprometimento de memória, não espere. Uma avaliação neurológica e cognitiva pode definir se existe risco aumentado e qual o melhor momento para agir.
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